07 novembro, 2009

Serra do Lenheiro - Feriado de Finados

Olá a todos,

Esse último final de semana, aproveitando o feriado, fomos conhecer em São João Del Rei, a serra do Lenheiro. E conto que valeu muito.

Fomos eu, Gui, Jus, Fabi e Andreas, e depois iríamos encontrar com o Buda na Fernão dias, que viria de Sampa direto.



Saímos na madrugada de sábado de Valinhos, por volta da 4:00 e passamos em Amparo para pegar o Andreas, de lá direto para SJDR. Optamos por sair esse horário por conta principalmente de fugir do transito, e porque poderíamos ter meia noite de sono, o garantiria um sábado mais proveitoso. Deu certo.



Andreas abrindo caminho


Chegamos um pouco antes do almoço, perfazendo um total de 7 horas de chão, nos registramos no albergue Vila Hostel, almoçamos, passamos no batalhão de montanha para registro e permissões de entrada na serra. Sim é necessário autorização do exercito para utilizar o local, já que se trata de área militar.



Primeira escalada do dia



O bacana (e as vezes assustador) é que a grande maioria da vias é com proteção móvel, e em alguns casos, a primeira proteção não passa de uma nut pequena, que fica em um lance difícil, fazendo com que seu psíquico realmente fique abalado. Nesses casos você deve fazer de tudo para evitar a queda. Confesso que nessas vias, eu amarelei e subi só de segundo.


Galera na preparação



A noite, como não poderia deixar de ser, fomos jantar em uma pizzaria no centro de SJDR.


Fabi e Andreas na frente do albergue



Rolou até um off-road com o Civicão velho de gerra


Esse dia realmente estava lindo, embora muito quente


Domingão, ficamos pela manha em alguns blocos mais abaixo dos pontões, para treinar um pouco as colocações de moveis, aproveitei para praticar um pouco de escalada em móvel, em um lance com clifs de agarra. Não fui bem sucedido, algumas agarras arrebentaram e voei no top algumas vez. Por fim desisti da bricadeira.


Preparando o top para a galerinha


Por volta da hora do almoço, o sol e calor pegando forte, O Buda, Gui, Fabi e Jus decidiram voltar para a cidade e almoçar, com isso ficamos eu e o Andreas escalando o resto do dia.



O gui parece ou não um vespão ?


Claro que teria de rolar uma espiada nas pinturas rupestres. Pena que alguns vândalos já fizeram o favor de detonar parte da parede. Como tem gente imbecil no mundo, impressionante.


Outro “detalhe” é que o croqui que encontrei, apesar de ter uma boa descrição da localização das vias, não é muito fidedigno com a graduação.

http://www.pensatrix.com.br/wp-content/docs/Croquis%20localizacao%20e%20vias%20lenheiro.pdf



Das duas uma ou fiquei muito fraco ou tem várias vias que foram decotadas, vias que para mim seriam pelo menos 5 ou 5º Sup estão graduadas em 4º ! Esse “detalhe” rendeu algumas surpresas durante a escalada. De todas as formas, outras pessoas que estavam por lá, também tiveram a mesma impressão. Isso ocorreu principalmente nas vias de graduação mais baixa, já as de graduação igual ou superior a 6º me pareceu correto. O lance é ficar esperto antes de entrar nas vias fáceis.


Segunda pela manha, fizemos o check out do albergue e voltamos para os pontões. Já um pouco cansado dos dias anteriores e passando muito calor, escalamos relativamente pouco, e descansamos mais :-).





Ter uma rede dessas na mochila vale muito nessa horas.


Gui encarando a saidera, uma canaleta bem fácil, mas bastante exporta



No final do dia, por volta das 17:00 arrumamos a tralha, e aproveitamos os banheiros do local para tomar banho e pegar o rumo de volta para casa.

A viagem de volta foi bastante cansativa, saímos de SJDR por volta das 20:00, depois de ter dado baixa no batalhão de montanha e de jantado, e cheguei em casa, por volta das 3:00 da manha.

Tudo correu muito bem, a viagem foi ótima as escaladas idem e com certeza o local merece nova visita no futuro.

Braços



28 outubro, 2009

O quadrinho diz tudo ...

Quem nunca se aproveitou da ignorância alheia a respeito da escalada e deu uma “puxadinha” em alguma foto bacana, para colar no seu perfil e fazer uma média ...

http://xkcd.com/

26 outubro, 2009

Nasce uma escaladora

Olá! Pra quem ainda não me conhece, sou Patricia, a esposa. E também a mais nova escaladora do pedaço. Estou aqui a pedidos, como nova colaboradora deste blog, para contar um pouco sobre a minha primeira experiência na pedra, ou seja, o "batismo" que me introduziu ao lado aventureiro da vida. Vamos lá.


Conheci o Renato a onze anos, no auge do período de escalada dele. Ele vivia viajando pra lá e pra cá. Quando começamos a namorar ele já estava na marcha lenta e foi parando até que estacionou. Voltou no ano passado e com a corda toda (com e sem trocadilho).


Sempre incentivei que ele voltasse a escalar. Acho que as pessoas têm que fazer aquilo que gostam. Dou sempre o maior apoio. Ele também sempre me incentiva a crescer e a experimentar. No começo do ano me deu um curso de mergulho. O melhor presente, ever! Ele vive me chamando pra ir com ele em suas viagens de escalada. Mas, o que eu vou fazer lá?, eu sempre me perguntei. Até que, finalmente, depois de mais de uma década sem nunca ter pensado a respeito, me veio a evidente resposta: escalar, ué! O Nato já me deu uma ou outra indireta, mas eu nunca levei muito a sério. Nunca me senti inclinada a esse tipo de prática esportiva. Na verdade, a nenhum. Pra deixar a confissão completa, é preciso dizer que faz anos que estou absolutamente sedentária.


Então, que faz uma “senhora”, às vésperas de seus quarenta anos, começar a subir pelas paredes? O amor, é claro. Mas também a grande necessidade de sair do sedentarismo, tendo um povo tão agitado ao meu lado – marido, filhos, amigos – eu já estava começando a me sentir meio de fora. A saúde é outro agente motivador. Ela ainda não reclamou, mas se eu continuasse no pique em que estava, não ia demorar muito. Então, decidi sair da concha e dar uma chance para a pedra. Agora é com ela me conquistar.


No sábado, o marido me deu umas dicas no murinho aqui de casa e no domingo a família foi pra Pedra Bela para prestigiar o meu debut. Achei que fosse fazer feio, mas nem paguei tanto mico assim. Ver os outros fazerem é definitivamente muito mais fácil, mas uma vez lá na pedra, a gente percebe que não é tão impossível quanto parecia. Não caí, não chorei, não pedi clemência... água eu pedi, mas tava muito quente e a boca secava rápido com o calor, o nervoso, o medo de escorregar ou de não achar agarra (ainda não caiu a ficha de que se escorregar, a corda tá lá, e o parceiro não vai te deixar cair – o seguro de vida não vale tanto assim!), além da ansiedade, do cansaço e do esforço que eu ainda não sei medir.


Foi um dia super produtivo: já sei vestir a cadeirinha, já sei fazer o nó principal, já sei fazer segurança (só o marido mesmo pra confiar assim, logo de prima). Aprender o dialeto vai levar um tempo, a técnica só mesmo com a prática. A parte fácil foi o rapel – tinha que ter uma parte fácil, né! E eu gostei muito. O Nato diz que não tem a menor graça, mas eu tô só começando e achei mesmo irado. Uma sensação de liberdade deliciosa! A melhor parte de todas? Ter o melhor professor do mundo. Posso dizer que literalmente meu marido me faz subir pelas paredes e me leva às alturas.


Resumo da ópera: começar aos quarenta é possível. Os braços estão reclamando um pouco, menos do que eu achei que fossem. As pernas também. A ginástica (que eu também estou começando) deve me ajudar nesse quesito, além de me proporcionar mais elasticidade, força e resistência, que certamente serão necessárias se eu pretendo continuar a lagartear por aí afora. Portanto, se você acha legal, mas acha que já passou da idade, tome a mim como exemplo. Eu sobrevivi, e o que é “pior”, eu gostei! E se você acha legal, e tem a metade da minha idade, vou ter que dar uma de mãe: larga mão de preguiça e começa de uma vez. Se não for pela adrenalina, que seja pela paisagem, pelo vento no rosto, pelo pessoal, pela aventura. Pára de ficar aí só olhando e junte-se a nós!